Arquivo da tag: Paulo Cabral

15 Anos de Ministério Pastoral

No dia 27 de março de 1999 assumi o pastorado da Igreja Batista do Passo D´Areia.  Neste domingo (30/03/2014) nossa igreja realizou um Culto de Ação de Graças alusivo aos 15 anos do Ministério Pastoral que tenho exercido na I.B. Passo D´Areia.

Comecei meu pastorado com 24 anos, dois anos de casamento e esposa grávida. A Igreja possuía cerca de 60 membros e nenhuma congregação ou frente missionária. Nossas dependências eram precárias, os recursos financeiros pequenos, mas essa conjuntura não me desanimou, pois o Senhor tinha gerado sonhos e visão espiritual para o futuro da igreja.

Ao longo destes 15 anos fizemos muitas coisas. Hoje somos cerca de 400 membros, já ajudamos na plantação de 2 novas igrejas Batistas no RS e na revitalização de outras 2. Atualmente estamos cooperando na plantação de 6 igrejas no RS  e dezenas de frentes missionárias em Cuba. Também já treinamos e enviamos vários pastores para servirem no RS, em outros estados do Brasil e também em outros países. Temos sido uma igreja com uma forte presença missionária, tanto no apoio a obreiros que atuam no campo, quanto no envio de novos missionários. Temos bons resultados na área de ação social com a fundação do Instituto Passos, uma ONG que atua na área de educação e proteção de crianças. Desenvolvemos e potencializamos vários ministérios, melhoramos em muito as instalações da igreja, tanto templo como outros espaços. Temos apoiado diferentes ações de nossa denominação e igrejas parceiras.

Por pastorear a mesma igreja por 15 anos, tenho tido a alegria de ver os resultados do ministério. Acompanhando famílias cujos filhos eram pequenos quando cheguei, mas hoje estão casados, com carreiras encaminhadas e crescendo na fé e no compromisso com Deus. Outa alegria tem sido ver meus filhos na fé crescendo no Ministério, tornando-se pastores, missionários, líderes na igreja e cooperando em diferentes áreas do Reino de Deus.

Ocorreram momentos difíceis, crises, dias maus, frustrações e outros dramas, mas quando coloco tudo na balança, o saldo é prá lá de positivo. As dores do ministério me fizeram crescer, exercer a humildade, o perdão, a auto crítica e a perseverança. O valor do nosso ministério é proporcional aos sacrifícios que fizemos ao longo do tempo.

Olhando para esses 15 anos, a palavra que melhor expressa meus sentimentos é “EBENÉZER: até aqui nos ajudou o Senhor” ISm 7.12. Essa expressão tem duas perspectivas:

1ª Perspectiva: “Até aqui nos ajudou o Senhor” significa que já temos o que celebrar. O Senhor nos tirou de onde estávamos e nos trouxe até aqui. Ele nos moveu, nos proporcionou avanços, livramentos, experiências e vitórias. Chegar “até aqui” revela uma trajetória, uma história e merece uma celebração cheia de gratidão pela bondade e fidelidade de Deus.

2ª Perspectiva: “Até aqui nos ajudou o Senhor” significa que ainda temos um caminho a percorrer. Não chegamos até o final, chegamos até um pedaço do caminho. Nosso alvo é chegar lá. Portanto, não podemos parar e ficar na zona de conforto, nosso alvo é continuar avançando, buscando concluir a missão que recebemos do Eterno.

Sou grato a Deus por ter chegado “até aqui”. Mas não estou conformado com isso. Quero prosseguir e chegar “até lá”. Que o Senhor continue me ajudando nas pequenas e grandes tarefas, pois, estou certo, que sem Jesus nada possa fazer.

Fique a vontade para comentar esse texto abaixo e divulga-lo em suas redes sociais.

IMG_4080

Por trás das Cicatrizes

Conheci um homem, em Guiné Bissau, que trazia no corpo muitas cicatrizes que obteve por se converter ao cristianismo. Ele foi o primeiro de sua família que abandonou o islamismo. Por causa de sua decisão, seus irmãos, primos e tios deram uma surra tão grande nele, que o deixaram marcas por todo o corpo, algumas que irão acompanha-lo por toda sua vida. Quando conheci sua história, entendi melhor as palavras do Apóstolo Paulo, que afirma em Gálatas 6.17: “Quanto ao mais, ninguém me moleste, porque eu trago no corpo as marcas de Jesus”. Aquele africano podia dizer o mesmo.

Também existem cicatrizes internas, que marcaram nossa alma, que também nos proporcionaram dores intensas. Tais cicatrizes podem ser causadas por dramas familiares, desilusões afetivas, fracassos, conflitos entre tantas outras possibilidades. Ao longo da vida, todos acumularam esse tipo de cicatriz.

Mas qual o propósito das cicatrizes em nossa vida? Refletindo sobre essa pergunta, concluí que por traz de uma cicatriz, existe um sobrevivente. Quando olhamos para elas, recordamos, que apesar da dor e do sofrimento, sobrevivemos aquele drama, saímos marcados, porém vivos. Para evitar qualquer tipo de ufanismo, as cicatrizes ajudam a lembrar nossa fragilidade e humanidade.

Como Deus não desperdiça nenhuma de nossas dores, as cicatrizes também proporcionam autoridade para testemunhar aquilo que vivemos, dão crédito às experiências vividas. Por isso, não tenha vergonha de suas cicatrizes, não gaste energia tentando escondê-las, ao contrário, exponha e fale sobre elas. Jesus Cristo quando ressuscitou e apareceu aos seus discípulos, fez questão de mostrar suas cicatrizes (João 20,24-29). Elas o acompanharam , inclusive após sua ressureição, para servirem como sinal de seu sacrifício.

Quando você estiver enfrentando grandes batalhas, que estejam causando feridas em seu corpo ou em sua alma, não desanime. Creia que a graça de Deus transforma toda ferida em cicatriz. Confie que o Senhor está forjando algo em sua vida, para leva-lo a um nível mais profundo de maturidade e fé. Lembre-se do que foi dito a Jó: “Pois te esquecerás dos teus sofrimentos e deles só terás lembrança como de águas que passaram” (Jó 11.16).

Tenha um novo olhar sobre suas cicatrizes, ao invés da reclamação ou autocomiseração veja elas como oportunidades para recomeçar. A graça de Deus nos permite, mesmo machucados, tentar novamente. Que maravilha!!!

cicatriz