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O Fator Pilatos

Pôncio Pilatos era Prefeito da província romana da Judeia, território de Israel, mas que estava sob domínio e governo romano, nos tempos de Jesus Cristo.Entre suas responsabilidades estava julgar os acusados de crimes contra a ordem social, tanto que foi ele o juiz que julgou as acusações contra Jesus Cristo, de acordo com a narrativa bíblica.

No Evangelho de Lucas, no capítulo 23 há algumas informações importantes sobre esse julgamento. O texto afirma que por três vezes Pilatos afirmou que não encontrou motivo algum para condená-lo a morte, entretanto os líderes religiosos e o povo o pressionava para condená-lo a morte. Observe os seguintes versículos: “Eles, porém, pediram insistentemente, com fortes gritos, que Jesus fosse crucificado; e a gritaria prevaleceu. Então Pilatos decidiu fazer a vontade deles” Lc 23..23-24.

Pilatos abriu mão de suas convicções e cedeu a pressão popular. Numa linguagem esportiva, ele “jogou para torcida”, ou como nossos políticos costumam fazer “fez média com a opinião pública”. Mesmo sabendo que Jesus não deveria ser crucificado, atendeu a vontade das massas e autorizou sua crucificação. O pecado de Pilatos foi a omissão, pois não teve coragem de fazer o que ele deveria ter feito. Ele cedeu as pressões e aos gritos de uma multidão enlouquecida e manipulada. Infelizmente, em nossos dias, muitas pessoas tem seguido o exemplo de Pilatos, deixando de fazer o que deveriam realizar.

Governantes e líderes de nosso país tem agido como Pilatos. Costumam andar pela estrada da omissão, preferem atender interesses escusos a enfrentar a injustiça, a corrupção, a manipulação e a opinião pública. Pilatos teve medo de enfrentar os líderes que queriam crucificar Jesus. Pilatos ficou com receio de contrariar os gritos da multidão. Enfim, Pilatos não teve coragem de fazer o que era correto.

Estamos vivendo dias de pressão popular pedindo mudanças em nosso país. O Brasil realmente precisa de profundas reformas na área política, tributárias, judiciária e educacional. Porém tais mudanças precisam de coragem de nossos governantes e líderes. Eles sabem o que precisa ser feito, porém, assim como Pilatos, escolheram o caminho da omissão e protelam aquilo que é urgente. Meu receio é que os discursos de nossos governantes sejam apenas uma tentativa de “jogar para torcida”, esperando o movimento esfriar.

Chega de omissão, chega de jogar para torcida. É necessário coragem para enfrentar os grandes problemas do nosso país.

A todos meus amigos que exercem liderança em alguma área, lembrem-se que um líder não deve jogar para torcida, nem ser refém da opinião pública, mas exercer sua função de acordo com sua consciência, suas convicções e a direção de Deus. Que seja esse nosso alvo.

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