Arquivo mensais:outubro 2015

O Poder do Exemplo

 

A melhor forma de ensinar é através do exemplo. Por isso, temos a responsabilidade de viver aquilo que ensinamos e fazer aquilo que esperamos que os outros façam.

Trazemos em nossa vida o exemplo de nossos pais e de outras pessoas que foram em algum momento fonte de inspiração. Pense sobre aquilo que você tem feito da mesma forma que seu pai  ou sua mãe fazia, ironicamente, você pode estar fazendo aquilo que detestava que eles fizessem com você.  Isso chama-se exemplo reproduzido, que serve tanto para o bem quanto para o mal.

Quero propor duas atitudes importantes a respeito do exemplo. Precisamos SER e PROCURAR bons exemplos.

Procure SER um bom exemplo de pai, amigo, servo, profissional, marido, cidadão e em tantas outras áreas. Que sua vida inspire outras pessoas, que outros vejam as marcas de Jesus em seu estilo de vida e glorifiquem a Deus pelas suas atitudes. O Evangelho nos exorta tanto a seguir o exemplo de Cristo, quanto a ser exemplo para outras pessoas (I Co 11.1; ITm 4.12). Também adverte que não devemos ser motivo de escândalo ou mau exemplo, pois tais pessoas sofrerão graves consequências por agir desta forma (Mt 18.6-9). Não tenho dúvida que um dos preços mais altos da liderança é Ser exemplo para os liderados. Ser líder, portanto, é uma tarefa muito difícil.

Num mundo cheio de maus exemplos, Jesus nos chama para ser luz neste mundo, isso significa, fazer a diferença, ser um bom exemplo para os demais.

Mas para SER exemplo precisamos PROCURAR bons exemplos. Não fique focando os maus exemplos, não vale a pena ficar usando eles para justificar nossa mediocridade ou tão pouco nossos erros. Não tente justificar sua desonestidade usando como exemplo a corrupção dos políticos,  nem seus pecados em função dos erros de outros. Não faça como o Homer Simpson, que costuma colocar sua culpa nos outros.

Procure aqueles que podem te inspirar. Não busque pessoas perfeitas, mas sim, pessoas que sejam um bom exemplo em algumas áreas da vida, onde você precisa melhorar. Podemos aprender com elas, basta conviver e observá-las.

Meu casamento tem melhorado ao longo dos anos, pois tenho aprendido com outros casais como ter um matrimônio melhor, minha liderança tem avançado, em função das minhas observações de líderes que me inspiram, meu relacionamento com Deus tem crescido na medida que convivo com pessoas piedosas e cheias de amor pelo Eterno, meu caráter em sido lapidado, convivendo com pessoas altamente íntegras, enfim, estou melhorando como pessoa, graças a bons exemplos de outros.

Jesus é nosso grande exemplo. Através dos Evangelhos podemos observar como Ele procedia. Mas pela graça de Deus, muitos de seus discípulos em nossa geração, nos ajudam a viver na prática os ensinos do Mestre. Olhando para essas pessoas que nos inspiram, poderemos Ser Bons Exemplos para quem convive conosco, esse é um bom alvo para ser perseguido.

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Tributo ao amigo André Ribeiro

Essa foi a carta que li no funeral do André. A pedido de algumas pessoas, estou disponibilizando o texto em meu blog.

 

Conheci André Ribeiro  em 2006, ele chegou com sua família em nossa igreja. Na época a Ritielly tinha 8 anos e a Andria 10 anos. André e sua família, desde então, se integraram no Passo D´Areia, servindo em várias áreas, como Ministério Infantil, Ministério de Casais, mas foi na recepção das celebrações onde se envolveram com mais intensidade, especialmente o André. O dia que entreguei a ele o molho de chaves e dei a ele essa responsabilidade de fechar o templo, ele recebeu essa tarefa com alegria e a desenvolveu com dedicação. Por anos ele foi a última pessoa a sair do Passo D´Areia. Ele desenvolvia esse ministério com seriedade. Nem sempre tinha carona para ir embora, mas mesmo assim, ficava até a última pessoa sair do templo. Essa era uma das formas que ele demonstrava o quanto amava a Deus e a sua igreja.

O André foi alguém muito presente em nossa igreja. Raramente  faltava o culto de domingo, era presença garantida na imensa maioria dos eventos da IBPA. Era alguém que tinha prazer em participar das atividades da nossa igreja.

Uma das principais características do André era servir. Essa era sua principal linguagem de amor. Ele ajudava de muitas formas, as vezes fazendo compras para o Semeando Vidas, outras vezes servindo como motorista para levar ou buscar alguém, enfim, um homem prestativo e disposto a ajudar o próximo.

Como colorado gostava de tocar uma flauta em mim, quando o Grêmio perdia e o Inter ganhava. Também aceitava numa boa a flauta quando o contrário acontecia. Gostava de futebol, mas não era um fanático, sabia a fronteira entre brincar sem desrespeitar os outros.

Fez muitos amigos em nossa igreja. Era um homem bem humorado, de fácil convivência. Gostava de participar do encontro dos Atalaias, do Pequeno Grupo Multiplicador e do Futebol. Gostava de ajudar nos almoços da igreja, era parte das mais variadas equipes que organizavam os eventos da IBPA. Sua presença nas equipes garantia a alegria de todos.

Assim como eu, tinha suas lutas e imperfeições. Mas estava no processo de crescimento espiritual. Recentemente ao participar de um Retiro de nossa igreja, teve  a oportunidade de tomar várias decisões e corrigir alguns erros do passado. Não era perfeito, mas em Cristo, foi perdoado, resgatado, redimido e salvo. Assim como eu, Jesus se fez propiciação pelos seus pecados e o tornou justificado diante de Deus.

André não acumulou tesouros e riquezas nesta terra. Foi um homem de vida simples, com poucos recursos financeiros. Porém, isso não o tornou infeliz, pois sabia que sua riqueza era sua família e  sua fé em Jesus Cristo, e essas riquezas não poderiam lhe ser tiradas, pois ele bem sabia, que era peregrino nesta terra, trilhando em direção a pátria celestial, onde o Eterno Deus o recebeu com alegria no dia de hoje. A fé em Jesus Cristo era sua riqueza, e essa riqueza é a herança que deixa para sua esposa e filhas.

Nos últimos meses o André lutou contra um câncer. Essa doença o fez emagrecer rapidamente e modificou sensivelmente sua aparência. Aos poucos foi perdendo suas forças, sua mobilidade  e autonomia. Rita foi uma esposa dedicada, estando ao lado dele no hospital , em casa e em todos os momentos. Ela amou seu marido até o fim.

Mas não será a imagem do André com câncer que guardaremos em nossa memória. Ele seguirá vivo em nossas lembranças, porém sorrindo, brincando, servindo e amando, como vimos por tantas vezes. André seguirá vivo em nossas lembranças e sua família seguirá sendo amada por nós.

Hoje teve tristeza na terra, muitos lares choraram pela morte do André; mas com certeza tivemos festa no céu, onde o Pai Celestial recebeu carinhosamente mais um de seus filhos, um filho chamado André.

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Desabafo de um pai

Tenho dois filhos, Sarah com 16 anos e Miguel com 12. Ambos nasceram e seguem até o momento vivendo em Porto Alegre. Mesmo procurando estar o maior tempo possível com eles, é impossível acompanha-los o tempo todo, em algum momento eles precisam voltar da escola de ônibus ou  ir a algum local caminhando ou com transporte público. Porém, como pai, estou revoltado e ao mesmo tempo sem saber o que fazer, pois minha filha já foi assaltada 7 vezes e meu filho 3 vezes, sendo a última vez, hoje a tarde.

Minha filha já  foi assaltada indo ou voltando da escola, no trajeto até o Shopping, numa caminhada perto de uma praça de nossa residência, sempre durante o dia, seja pela manhã ou a tarde, e na maioria das vezes por delinquentes com menos de 18 anos, que usavam facas ou arma de fogo. Já o Miguel nas três vezes que foi assaltado estava indo ou voltando da escola, sempre com a mochila e o uniforme escolar. Dos 3 assaltos que Miguel sofreu, dois foram este ano.

Meus filhos estão com medo de sair de casa e nós  com medo que eles saiam sozinhos. É uma tragédia social quando adolescentes não podem ir para a escola de transporte público, por medo de serem assaltados. Que tipo de sociedade é essa, que é incapaz de garantir o acesso a escola em segurança para crianças e adolescentes??

Meus filhos estão crescendo sob a égide do medo da violência urbana. Esse é um grave sintoma que nossa sociedade caminha para a barbárie.

Infelizmente a delinquência juvenil está crescendo assustadoramente. O número de adolescentes que estão praticando assaltos é cada vez maior. Quando um garoto de 14 ou 15 anos começa a assaltar ele já escolheu o estilo de vida que quer seguir e a partir daí, as chances de mudar o rumo da vida dele são pequenas. A nossa sociedade não recupera delinquentes, ao invés disso, produz em escala cada vez maior, o número de pessoas que escolhem a criminalidade.

O que fazer????

Bem, isso merece um novo texto que em breve escreverei. Por enquanto, registro meu desabafo com essa violência urbana, cada vez maior.

Violência-urbana-e-o-medo-infantil