Arquivo mensais:outubro 2013

Pedro Amauri da Silva, meu pai!

Se meu pai estivesse vivo, hoje (25/10/2013) ele estaria completando 61 anos. Faleceu aos 60 anos, após um AVC que o deixou em coma por 11 dias na CTI do Hospital de Clínicas em Porto Alegre. Sua morte ocorreu no dia 20 de setembro de 2013.

Minha relação com meu pai não foi boa, ou melhor, sempre foi distante. Nunca tivemos grandes brigas, sequer batemos boca. Não recordo-me de uma única repreensão ou discussão entre nós. Também pudera, pouco convivemos juntos.

Quando eu tinha 2 anos, meus pais se separaram. Com a separação deles morei por alguns meses com meus avós paternos e depois uns 3 anos com meus avós maternos em Osório. Durante esse período minha mãe trabalhava em Porto Alegre e meu pai estava no Rio de Janeiro, onde já havia constituído uma outra família. Aos 6 anos, minha mãe veio morar definitivamente em Osório e fui morar com ela.

Fui rever meu pai por volta dos meus 8 anos. Nesta época ele já havia voltado para Porto Alegre e lentamente fomos reconstruindo nosso relacionamento, ele em Porto Alegre e eu em Osório.

Quando uma criança vive longe de seu pai, ela desenvolve um imaginário a respeito do seu progenitor. Comigo não foi diferente. Criei muitas histórias fictícias a respeito dele e mesmo revoltado com sua distância, nutria um carinho e uma admiração por ele.

Recordo-me que até os meus 8 anos eu era um torcedor do Internacional, pois meus avós maternos torciam pelo colorado. Após anos sem ver meu pai, ele foi me buscar para ficar com ele alguns dias em Porto Alegre. Neste período me pediu para ser gremista, me levou no Olímpico e comprou uma camisa do tricolor para mim. Voltei para Osório torcendo para o Grêmio. Acabei virando um torcedor “fanático” do Imortal Tricolor, pois essa era a forma que desenvolvi de manter um vínculo com meu pai. Torcer para o time dele, me fazia sentir seu filho.

Durante minha adolescência e juventude pouco convivemos. Quando vim morar em Porto Alegre, em 1997, começamos a conviver um pouco mais. Conheci melhor sua esposa e meu irmão por parte de pai, o Leonardo. Convivemos um pouco mais juntos, mas não o suficiente para estabelecermos uma convivência estreita e íntima, algo que lamento.

Pelo pouco que convivi com meu pai, pouco pude aprender com ele. Trago comigo o seu sobrenome, algumas características físicas, o amor pelo Grêmio e algumas recordações. Não é muito, mas é o que possuo e isso terá que ser suficiente, pois ele é meu pai e eu sou seu filho. Nossa história não foi bonita e nem teve um final feliz, mas o que importa, é que temos uma história, que bem ou mal, me fez chegar até onde estou e me ajudará a seguir em frente. Meu pai seguirá vivo em minhas lembranças e cada vitória do nosso time, será uma singela maneira de me fazer recordar, que somos do mesmo time.

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Marcas de uma Espiritualidade Cristã Saudável

Pode-se definir espiritualidade como a expressão de sua fé. Por isso, a palavra espiritualidade necessita ser acompanhada por uma caracterização, pois por si só, ela é ampla e indeterminada. No contexto cristão, a espiritualidade é a forma como vivemos os ensinamentos de Jesus Cristo, revelados na Bíblia.

Entretanto, essa vivência da fé cristã tem apresentado contradições e incoerências com os ensinamentos bíblicos. Por isso, é necessário uma reflexão sobre nossa espiritualidade, buscando avaliar se ela está alinhada com aquilo que as Escrituras Sagradas ensinam.

Estou convicto que há três bons indicadores para avaliarmos a espiritualidade de alguém, a saber, Devoção, Integridade e Serviço. O estilo de vida que todo seguidor de Jesus precisa ter, deve ser marcada por essas três atitudes. Elas se complementam e precisam ser vividas simultaneamente. Não se pode viver uma delas em detrimento de outra. São inseparáveis.

A devoção é expressa através das disciplinas espirituais, como oração, leitura bíblica, jejum, cânticos espirituais entre outras. A integridade é demonstrada através de caráter e conduta ilibada, bem como pela obediência a Palavra de Deus. O serviço é aquilo que fazemos pelo próximo, nosso envolvimento com a igreja local, a comunidade onde vivemos entre outras iniciativas solidárias e altruístas.

Quando uma dessas áreas não está sendo vivida por um seguidor de Jesus, sua espiritualidade não está saudável, pois a falta de devoção irá gerar uma espiritualidade carnal, a falta de integridade, por sua vez, irá comprometer o testemunho cristão e a ausência de serviço irá produzir indiferença e distanciamento das necessidades das pessoas.

A devoção isolada pode levar ao fundamentalismo. A integridade por si só, produzirá apenas bons cidadãos da terra, mas que não serão bons cidadãos do Reino de Deus. O serviço como fim em si mesmo irá gerar ativismo e comprometer a motivação da razão pela qual se está servindo.

Acredito que uma parte expressiva de cristãos estão vivendo apenas uma ou duas dessas dimensões. Vejo em muitas pessoas devoção e integridade, porém faltam as obras. Como nos adverte Tiago 2.26 “a fé sem obras é morta”. Também conheço outros que possuem integridade e serviço, entretanto suas vidas e ministérios estão carentes do sobrenatural de Deus e de uma percepção da vontade do Senhor, com isso acabam “errando porque não conhecem as Escrituras e nem o Poder de Deus” (Mt 22.29). Assim como há aqueles que possuem devoção e serviço em sua vida, porém a falta de integridade tem comprometido seu testemunho e ministério, deixando-os mais parecidos com os hipócritas do que com Jesus Cristo.

É importante compreender que as marcas de uma espiritualidade saudável não são prosperidade econômica, fama, influência, realizações, sinais carismáticos, dons e oratória, mas sim, uma vida de devoção ao Senhor, serviço ao próximo e uma conduta íntegra.  Minha oração e meu compromisso é trabalhar para que nossa Igreja seja um lugar de devoção, integridade e serviço. Enquanto viver irei ensinar isso as minhas ovelhas e compartilhar esse ensinamento com meus irmãos e amigos, pois afinal de contas, o Senhor não espera nada menos do que isso dos seus discípulos.

Espiritualidade

Reformando o Templo e as Vidas

Nossa igreja começou uma grande reforma em seu templo. Nosso assoalho estava cheio de buracos e bastante comprometido. A necessidade de substituí-lo era crescente, por meses ficamos adiando algo inevitável: precisávamos fechar o prédio, para reforma-lo.

Além de substituir o assoalho, constatamos outras necessidades, melhorias na parte elétrica, buscar soluções para melhorar a acústica, aumentar o palco, pintar o ambiente interno entre outras benfeitorias.

Não sou daqueles pastores que investe a maior parte do seu tempo em construções, reformas e ampliações das instalações da igreja. Por característica pessoal, prefiro dedicar a maior parte do meu trabalho a cuidar, treinar e pastorear pessoas. Sei o quanto é desgastante para os líderes e membros, longos períodos de envolvimento com aquisição ou reformulação de patrimônio. Mesmo reconhecendo, que prédios são ferramentas úteis para o desenvolvimento do trabalho da igreja local.

Quando começamos a remover o velho assoalho, percebemos o quanto ele já estava comprometido. Os barrotilhos já haviam se desmanchado em função da umidade e por baixo daquelas madeiras havia uma estrutura apodrecida. Enquanto as peças de madeira eram arrancadas o Senhor falou ao meu coração: “Assim está a vida de muitas pessoas do Passo D´Areia, o exterior parece em ordem, entretanto o interior está apodrecendo”.  O Senhor continuou ministrando na minha vida: “Essa reforma no prédio da Igreja, é um sinal externo, da reforma interior que farei na vida deste povo”.

Minha conclusão é que Deus está trabalhando em nosso meio. É tempo de reformar o templo e a vida dos membros da nossa igreja. Ao entender isso, todo medo e receio que estava em meu coração quanto ao começo das obras (em função dos recursos financeiros, prazos…) foram substituídos por esperança. O Senhor está trabalhando e a boa obra que ele começou, ele mesmo concluirá. Estou comprometido em prosseguir orando e trabalhando tanto pela reforma do templo quanto pela reforma das vidas que tenho a honra e a responsabilidade de pastorear. Mãos a obra!!!

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