Arquivo mensais:junho 2013

O Fator Pilatos

Pôncio Pilatos era Prefeito da província romana da Judeia, território de Israel, mas que estava sob domínio e governo romano, nos tempos de Jesus Cristo.Entre suas responsabilidades estava julgar os acusados de crimes contra a ordem social, tanto que foi ele o juiz que julgou as acusações contra Jesus Cristo, de acordo com a narrativa bíblica.

No Evangelho de Lucas, no capítulo 23 há algumas informações importantes sobre esse julgamento. O texto afirma que por três vezes Pilatos afirmou que não encontrou motivo algum para condená-lo a morte, entretanto os líderes religiosos e o povo o pressionava para condená-lo a morte. Observe os seguintes versículos: “Eles, porém, pediram insistentemente, com fortes gritos, que Jesus fosse crucificado; e a gritaria prevaleceu. Então Pilatos decidiu fazer a vontade deles” Lc 23..23-24.

Pilatos abriu mão de suas convicções e cedeu a pressão popular. Numa linguagem esportiva, ele “jogou para torcida”, ou como nossos políticos costumam fazer “fez média com a opinião pública”. Mesmo sabendo que Jesus não deveria ser crucificado, atendeu a vontade das massas e autorizou sua crucificação. O pecado de Pilatos foi a omissão, pois não teve coragem de fazer o que ele deveria ter feito. Ele cedeu as pressões e aos gritos de uma multidão enlouquecida e manipulada. Infelizmente, em nossos dias, muitas pessoas tem seguido o exemplo de Pilatos, deixando de fazer o que deveriam realizar.

Governantes e líderes de nosso país tem agido como Pilatos. Costumam andar pela estrada da omissão, preferem atender interesses escusos a enfrentar a injustiça, a corrupção, a manipulação e a opinião pública. Pilatos teve medo de enfrentar os líderes que queriam crucificar Jesus. Pilatos ficou com receio de contrariar os gritos da multidão. Enfim, Pilatos não teve coragem de fazer o que era correto.

Estamos vivendo dias de pressão popular pedindo mudanças em nosso país. O Brasil realmente precisa de profundas reformas na área política, tributárias, judiciária e educacional. Porém tais mudanças precisam de coragem de nossos governantes e líderes. Eles sabem o que precisa ser feito, porém, assim como Pilatos, escolheram o caminho da omissão e protelam aquilo que é urgente. Meu receio é que os discursos de nossos governantes sejam apenas uma tentativa de “jogar para torcida”, esperando o movimento esfriar.

Chega de omissão, chega de jogar para torcida. É necessário coragem para enfrentar os grandes problemas do nosso país.

A todos meus amigos que exercem liderança em alguma área, lembrem-se que um líder não deve jogar para torcida, nem ser refém da opinião pública, mas exercer sua função de acordo com sua consciência, suas convicções e a direção de Deus. Que seja esse nosso alvo.

omissão

Problemas e Perspectivas de um Protestantismo Pau-Brasil

SayãoCompartilho abaixo com meus leitores um artigo escrito pelo Pr. Luiz Sayão, um grande estudioso e teólogo brasileiro da atualidade. Ele descreve as diferentes fases do Protestantismo brasileiro, chamado por ele de pau-brasil. O detalhe é que o texto é extenso e todas as palavras começam com a letra P. Um texto que merece ser lido, divulgado e analisado. Vale a pena conferir e comentar:

“É preciso pensar o protestantismo pau-brasil! Protestantismo do país pentacampeão, pentasecular, pós-pentecostal, perigosamente problemático, praticamente pós-moderno! Para pensar, em prolegômenos, o protestantismo principiante do principal país português, precisamos proferir palavras propriamente planejadas, previamente preparadas, pesquisando os períodos do protestantismo pau-brasil: partindo-se do pioneiro e principiante, e prosseguindo até o presente e pós-moderno. Possivelmente poderemos prosseguir pincelando o painel polimorfo protestante! Podemos prosseguir?Perfeitamente! O primeiro protestantismo é o principiante, o primogênito. Primaveril! Parece-me plácido, progressista, platônico e promissor. Produziu profusamente pastores, presbíteros, pregadores e professores. Padeceu perigosamente pelo poder dos padres, pois era protestantismo de persuasão! Porém, prosseguiu, proclamando a Palavra. Para os pesquisadores, pendia para a perspectiva pró-saxônica. Por isso, pasmem! Perdeu a possibilidade de preconizar uma perspectiva protestante pau-brasil. Praticou a perigosa polarização, protelando um protestantismo palpavelmente pentacampeão, um protestantismo perfeitamente pau-brasil. Podemos permanecer perplexos!Pouco passou para o protestantismo preguiçoso projetar-se. Perfeito protetor do passado, o protestantismo preguiçoso priorizou a preservação do pretérito! Progressista e paleozóico, pôs em prisão a profecia! Pôs-se a prosseguir paulatinamente pelo pavimento pachorrento da postergação. “Podemos praticar posteriormente”, pensavam. Para que pressa? Pianissimamente, premiou os prelúdios e os poslúdios. Preconizou as prerrogativas de uma prepotência possivelmente putrefata! Pouco pôde prevalecer, pois permitiu a pluralização parcimoniosa do protestantismo principiante! Era pouco popular, porém pertencia ao “pequeno povo”. Ponderado, premeditado, predeterminado, parou! Praticamente parou! Parou por quê? Petrificou! Petrificou para propalar o paternalismo, preservando o personalismo profundamente presente no povo pau-brasil. Pareceu-me parcialmente paranóico, permeado pelo pavor: pavor de prosseguir, pavor de permutar, pavor de prejudicar o passado! Puxa!

O protestantismo posterior é o protestantismo pró-pentecostes! Pôs os preteristas em polvorosa! Passou a possuir o perfil de protestantismo propagador! Pareceu prejudicar os plácidos e praticar a preteritoclastia! Passou a pender para uma perspectiva possivelmente pau-brasil. Porém, perseguiu o prazer e profetizou a proibição! Prosseguiu proclamando um protestantismo de Parusia. Passou a pregar pomposamente! Porém, passou a possuir a preferência dos pobres. Pôde pregar e profetizar propriamente para os pobres, os paupérrimos, os piores pervertidos e os pretos preteridos pelos poderosos perversos. Precipitadamente, preferiu o profeta e preteriu perigosamente o professor! Possivelmente por isso, passou a pulverizar. Pulverizou em partículas pequeninas, precipitando-se num perfil pavorosamente perturbador! Pôs-se a projetar pontífices próprios. Passou a prognosticar, promover prodígios, perseguir principados e potestades. Proporcionou e potencializou plenamente o perfil polimorfo do protestantismo presente.

Paralelamente, projetou-se o protestantismo possivelmente pró-proletariado. Propulsionado por perspectivas políticas, pendeu para um posicionamento predominante em parte do planeta que preconizava a polarização “proletariado-poderosos”. Posicionamente que pulula! Pareceu-me prioritariamente político. Passou a preterir o púlpito, e permutou-o pelo palanque. O pastor-pregador preferiu passar-se por político-prometedor. Perderam-se os papéis! Passaram a praticar a parcialidade, pichando os pecados perversos dos povos poderosos, pisoteando os principais da pirâmide do poder. Porém, politicamente predeterminados, passaram a prender a Palavra para poupar os perversos que possivelmente protegiam o proletariado e praticavam os próprios pecados dos poderosos. Pode? Perdidos, passaram a piscar passionalmente para o pensamento pós-cristão, para os profetas das psicologias prevenidas para com a Palavra e para uma pulverização pós-moderna e perdida do próprio pensamento. Perderam a perspectiva! Preteriram o porto da partida. Procuram o porto promissor, possivelmente perdidos em perspectivas e prazeres passageiros. Papelão! Que Papelão!

Prometendo progredir, pretendo pensar no perfil do protestantismo posterior, o protestantismo pós-pentecostal. Plenamente pós-moderno, é prenhe de problemas perigosíssimos. É perfeitamente paliativo. Passou a proporcionar aos pobres a perspectiva dos poderosos: a prata pode preencher e é prioridade. É o protestantismo do poder, da prosperidade e da psicose. O pastor-profeta passou a possuir o perfil papagueador-promotor. Passa-se por psicólogo, e péssimo psicólogo! Pulverizados na perscrutação da Palavra, porém perversamente projetados pela pragmática da prata, preferem preterir e pisar as palavras dos principais pensadores do próprio protestantismo. Os pós-pentecostais prescrevem práticas parvas e pueris! Proclamam perspectivas perdidas, pisoteando a precisão do pensar! Preconizam pensamentos paliativos! Parecem predeterminados a promover o perecimento pleno dos próprios pobres. Para os pesquisadores, é pretenso protestantismo! Prostituiu-se! Perdeu-se em promiscuidade! Pobre protestantismo! Pobre protestantismo! É preciso praticar o pranto!

Paremos com o pessimismo, pois o protestantismo é promissor, pujante e prevalecente. Precisamos pensar e praticar passionalmente o protestantismo parelhado com a Palavra. Para podermos prevalecer, precisamos ponderar e prosseguir. A primeira ponderação é a prioridade da Palavra. Pressuposto primordial! Precisamos pesquisar, perquirir e perscrutar a Palavra. Propulsionados pelo perscrutar persistente da Palavra do Pai poderemos perfeitamente prosseguir. Os preceitos da Palavra perfazem o próximo passo. Precisamos praticar os preceitos do Príncipe da Paz. Palavra e Prática prosseguem em par! Por fim, penso que precisamos priorizar a prece. Perscrutar e praticar a palavra prepara o profeta, o pregador, o pastor a proferir palavras para o Pai Perene. Praticar a prece profetiza o prevalecer perpétuo pelo poder do Pai.

Palavra, Preceito e Prece. Perfil perpétuo para o povo do Pai Perene e do Príncipe da Paz.

Para sempre permanece a Palavra … (Psalmus 119.89)”